PS acusa Vítor Gaspar de responsabilidade por «colapso da receita»
O Partido Socialista acusou hoje o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, de responsabilidade pelo "colapso da receita" do Estado, instando o Governo a afastar a hipótese de adoção de novas medidas de austeridade.
"O senhor ministro das
Finanças definiu uma estratégia
orçamental", disse o deputado
socialista João
Galamba. "Fez 'frontloading'
[apresentar logo ao início] das
medidas mais duras. O PS sempre
criticou esta estratégia, considerou-a
imprudente, porque o equilíbrio
precário entre o crescimento e a
austeridade previsto no memorando
seria quebrado."
O
socialista eleito por Santarém disse
que há um "colapso da receita", dando
o exemplo do IVA, "que está a cair 2,8
por cento" e das contribuições
sociais, "que estão a cair 3,1 por
cento".
Estes
resultados "estão relacionados com um
excesso de austeridade que é
responsabilidade das opções
orçamentais definidas pelo ministério"
das Finanças, concluiu
Galamba.
Gaspar respondeu
que Portugal está a executar "um
ajustamento estrutural superior a
quatro pontos do Produto Interno Bruto
(PIB), é um processo orçamental muito
exigente".
O ministro
disse ainda que Portugal está a ter um
progresso "significativamente mais
rápido que o previsto, nomeadamente na
correção do endividamento externo e do
endividamento
privado".
Quanto à redução
na receita, deve-se a uma "composição
da atividade económica menos favorável
à receita fiscal". Embora o Governo
tenha revisto a sua previsão de
recessão para valores menos negativos,
o crescimento está a ser 'puxado'
pelas exportações, enquanto a evolução
do consumo é pior que o esperado - o
que implica menos receitas nos
impostos sobre o
consumo.
Gaspar admitiu
que as contas do Estado nos primeiros
cinco meses do ano "aumentaram os
riscos e as incertezas" quanto ao
cumprimento das metas orçamentais
acordadas com a 'troika' (Comissão
Europeia, Banco Central Europeu e
Fundo Monetário Internacional). Apesar
de as receitas terem ficado abaixo das
expetativas do Governo, Gaspar mantém
mesmo assim o compromisso de um défice
de 4,5 por cento do PIB para este
ano.
Diário Digital com Lusa
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