Chipre assume domingo a presidência da UE em pleno resgate
Chipre assume no domingo a presidência rotativa da União Europeia, menos de uma semana após se ter tornado o quinto país europeu a pedir assistência financeira, devido à crise dívida soberana, que ameaça também marcar o “seu” semestre.
Oito anos depois da adesão à UE (2004) e quatro anos volvidos sobre a entrada na zona euro (2008), a pequena ilha do Mediterrâneo, com cerca de 800 mil habitantes, e ainda dividida desde 1974 entre a parte turca (um terço do território, no norte) e a parte greco-cipriota (sul), recebe da Dinamarca a presidência semestral dos 27 com o mesmo “fardo” das últimas presidências, ou seja, uma agenda marcada pela crise económica.
Essa mesma crise, levou a própria República do Chipre, particularmente afetada pelos problemas da “vizinha” Grécia, a pedir ajuda aos seus parceiros europeus e ao FMI a 25 de junho passado - sendo o quinto país a fazê-lo, depois de Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha – e, ironicamente, Nicósia recebe a liderança da União na mesma semana em que acolhe também técnicos comunitários e do Fundo Monetário Internacional, que se deslocarão ao país para avaliar as necessidades de assistência financeira.
Ainda assim, as prioridades da presidência cipriota – que serão apresentadas pelo presidente comunista Dimitris Christofias na quarta-feira, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo – passam por contribuir para “uma Europa melhor” (o seu lema), com uma economia baseada no crescimento e solidariedade, e o seu grande desafio será conduzir o início das negociações sobre um dos instrumentos prioritários para alcançar esse objetivo: o orçamento comunitário plurianual pós 2013 (2014-2020).
Um dossier que certamente não avançará é o das negociações de adesão com a Turquia, que pouco têm avançado desde que foram abertas, em 2005, mas que no próximo semestre pararão mesmo totalmente, uma vez que Ancara persiste em não reconhecer Chipre e, como tal, recusa-se a sentar à mesma mesa.
Na quinta-feira terá lugar a cerimónia oficial de arranque da presidência cipriota, em Nicósia, onde o governo cipriota se reunirá com a Comissão Europeia liderada por Durão Barroso, no tradicional encontro entre o executivo comunitário e aquela que assegura a presidência rotativa da União.
Diário Digital com Lusa
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