EDAB acusa o Estado de empatar extinção da empresa
O presidente da assembleia-geral da Empresa de Desenvolvimento do Aeroporto de Beja (EDAB) revelou hoje que o passivo da instituição já ultrapassa um milhão de euros e acusou o Estado de “empatar” a extinção da empresa.
“Isto é completamente absurdo. O adiar da extinção só traz prejuízos porque a empresa não está a funcionar, mas está a ter despesas e, quanto mais cedo se extinguir, mais cedo se deixa de ter estas despesas fixas”, afirmou.
Pulido Valente, também presidente do Município de Beja (PS), falava hoje à Agência Lusa a propósito da última reunião da assembleia-geral da EDAB, realizada na sexta-feira, em que a extinção voltou a não ser concretizada.
Segundo Pulido Valente, realçando ter sido a terceira sessão da mesma assembleia-geral a acabar sem resultados, o acionista maioritário Estado, “mais uma vez”, não tomou uma decisão.
“O que nos vieram dizer, agora, é que o ministro Álvaro [Santos Pereira] criou um entrave à conclusão do processo”, afirmou.
O ministro da Economia e do Emprego, de acordo com Pulido Valente, pretende, “analisar a situação” e “falar com a ANA - Aeroportos de Portugal”, o que “não faz sentido”.
“A ANA não tem nada a ver com isto [EDAB] e esta empresa, toda a gente o sabe, é para acabar porque ela já não tem objeto, já não tem utilidade. Aquilo para que foi criada já foi atingido, que era construir o aeroporto”, frisou.
Enquanto se adiar a extinção, alertou Pulido Valente, são “mais de 100 mil euros que vão ‘à viola’” por mês: “É um absurdo e é inaceitável que se continue sem resolver este problema e os contribuintes a pagar”.
O presidente da assembleia-geral afiançou ainda que este impasse, “só pelo facto de o Governo, e não se percebe porquê, não ter ainda tomado uma decisão”, já leva a que “o prejuízo acumulado” da EDAB ascenda a “mais de um milhão de euros”.
“O que é preciso é o Estado aprovar o orçamento de extinção e devolver o capital social aos acionistas que não são Estado, nomeadamente à AMBAAL (Associação de Municípios do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral) e ao NERBE (Núcleo Empresarial da Região de Beja)”, explicou.
Pulido Valente admitiu que seja, precisamente, a devolução das verbas que esteja “a empatar” a extinção da EDAB, que deveria ter sido concretizada em 2011, tendo sido depois aprovado um orçamento até março deste ano, para culminar o processo, o que ainda não aconteceu.
No próximo dia 04 de setembro, os acionistas da EDAB “voltam a reunir”, mas Pulido Valente deixou um recado ao Governo.
“Se não tiverem o processo em condições de tomarmos uma decisão, avisem-nos que é para não fazermos as pessoas deslocarem-se centenas de quilómetros e, depois, ‘baterem com o nariz na porta’ outra vez”, disse.
A EDAB é detida em 82,5 por cento pelo Estado, em 10 por cento pela AMBAAL e em 2,5 pela NERBE/AEBAL, tendo ainda como acionistas a empresa gestora do Alqueva (EDIA), a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, a AICEP Global Parques e a Administração do Porto de Sines.
Diário Digital com Lusa
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