Grécia vai precisar de 3º resgate, diz representante grego no FMI
O representante grego no Fundo Monetário Internacional, Thanos Catsambas, afirmou hoje que a Grécia vai precisar de um terceiro resgate internacional, enquanto a troika mantém que a prioridade é "recolocar o programa atual no bom caminho".
"A Grécia vai precisar de financiamento adicional, que pode ser na forma de envolvimento do setor oficial ou novos empréstimos, esperamos que em termos mais favoráveis", disse Catsambas hoje ao Wall Street Journal.
Com o segundo programa de ajuda internacional em derrapagem, Catsambas defende que a União Europeia e Banco Central Europeu devem ser responsáveis pela captação de fundos, de que a Grécia não é capaz sozinha, sem acesso que está aos mercados financeiros internacionais.
Os inspetores da ‘troika’ encontram-se em Atenas, para fazer nova avaliação do cumprimento do programa.
Da aprovação pela ‘troika’, que deverá ser decidida em novembro, depende a libertação da próxima tranche do segundo resgate á Grécia, no valor de 31 mil milhões de euros.
Caso os fundos não sejam libertados, o país poderá enfrentar o cenário de saída da zona euro, uma "eventualidade indesejável, que atrasaria o país muitas décadas", segundo Catsambas.
Confrontado hoje com estas declarações, que disse desconhecer, o porta-voz do FMI, Gerry Rice, afirmou que o foco das conversações com Atenas é o cumprimento do segundo programa.
"Estamos a falar sobre recolocar o programa atual no bom caminho", disse Rice.
"Em qualquer programa, olhamos para duas coisas: sustentabilidade da dívida e garantia de financiamento. As discussões em Atenas em curso agora estão focadas em como podemos chegar lá", disse.
Os ministros das Finanças da União Europeia reúnem-se na sexta-feira e no sábado, em Nicósia, Chipre, num encontro informal que terá na agenda a análise da situação de países como Portugal, a Grécia e Espanha.
O ECOFIN (conselho de ministros das Finanças) começa na sexta-feira, às 08:30 locais (06:30 em Lisboa), com uma reunião do Eurogrupo (responsáveis pelas Finanças da zona euro), durante a qual estará em debate a situação económica e financeira da zona euro, segundo fontes diplomáticas.
Em análise estarão também as situações de Portugal, Espanha, Grécia, Irlanda e Chipre, os países que recorreram a resgates financeiros desde o início da crise das dívidas soberanas (no caso espanhol, o pedido limita-se à recapitalização do sistema bancário).
Portugal estará representado pelo ministro das Finanças, Vitor Gaspar, que deverá apresentar as conclusões da quinta avaliação da ‘troika' ao memorando de entendimento.
Diário Digital com Lusa
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