30-09-2006 às 07:38

Évora é a mais competitiva das cidades nacionais

A cidade de Évora é a mais competitiva das 18 capitais de distrito portuguesas, à frente de Lisboa, enquanto o Porto ocupa o último lugar da lista, revela um estudo.

O estudo, elaborado em co-autoria por Paulo Mourão, professor do Departamento de Economia da Universidade do Minho, e o economista Júlio Miguel Barbosa, aplicou às capitais de distrito portuguesas o mesmo método que o Fórum Económico Mundial utiliza para elaborar anualmente o ranking da competitividade mundial.

Os autores construíram um Índice de Competitividade das Cidades Capitais de Distrito (ICC) do continente português, que coloca Évora, mesmo quando comparada com as suas congéneres do litoral, como a mais competitiva nas dimensões demográfica, empresarial e de conforto.

Já o Porto, uma cidade historicamente relevante, situada no litoral, apresenta uma menor vantagem na competitividade empresarial, demográfica e do conforto, superando Évora ao nível da competitividade laboral, que está ligada a «um maior número de oportunidades de trabalho em grandes unidades produtivas».

Para compor o índice de competitividade global, o ICC, os autores utilizam quatro sub-índices, que medem a competitividade laboral, a empresarial, demográfica e de conforto e basearam os cálculos no Atlas das Cidades de Portugal, publicado pelo Instituto Nacional de Estatística em 2002.

Para determinar a competitividade empresarial, os autores do estudo têm em conta o volume de negócios no comércio, a capacidade de alojamento média e a taxa bruta de ocupação de cama nos estabelecimentos hoteleiros, as licenças para construções novas e para habitação e o número de visitantes por museu.

É neste critério que Évora conquista a melhor nota, com um índice de 6,9 pontos. No entanto, o conforto e a demografia também jogam um papel importante na posição da cidade.

Assim, as variáveis densidade populacional, a taxa de crescimento da população, a idade média dos residentes, a esperança média de vida, a taxa de mortalidade infantil e a percentagem de recolha de resíduos sólidos urbanos - indicadores que compõem o sub- índice de competitividade demográfica - são também melhores em Évora do que nas restantes capitais de distrito.

Tal como o indicador de conforto, que agrega dados estatísticos como os números de pessoas e de divisões por alojamento, de alojamentos sem pelo menos uma infra-estrutura básica, alojamentos familiares vagos e de edifícios exclusivamente residenciais, que obtém a melhor pontuação em Évora, de 6,6 pontos.

É só na competitividade laboral - que inclui a taxa de desemprego, o número de trabalhadores das empresas existentes e o número de empresários em nome individual - que Évora fica a perder em relação às restantes capitais de distrito, com uma nota de 4,8 pontos.

Já no caso do Porto, a cidade menos competitiva do país, o sub- índice laboral é claramente superior ao de Évora, com uma nota de 5,5 pontos.

Nos outros três indicadores (empresarial, demográfico e de conforto), o estudo refere que o Porto perde para Évora, pois apresenta valores inferiores (3,114 pontos, 4,968 pontos e 3,270 pontos), respectivamente.

Os autores do estudo notam os valores «extremamente modestos de cidades historicamente relevantes», como o Porto, mas também Braga e Faro (que ocupam respectivamente o 15º e o 16º lugar no índice global), e explicam-nos com «perdas sucessivas de competitividade devidas sobretudo às variantes taxa de mortalidade infantil, esperança média de vida e alojamentos familiares vagos».

Na lista das 18 capitais de distrito, Évora, Lisboa e Coimbra são as três cidades que lideram o índice de competitividade global, por ordem decrescente, enquanto que Porto, Viana do Castelo e Faro surgem com o pior desempenho.

O estudo refere também que as cidades do interior apresentam, em média, uma maior competitividade, com uma nota de 5,129 pontos, enquanto no litoral o valor é, em média, de 4,97 pontos.

Assim, apesar de em termos de competitividade associada ao «interior» em três dos quatro indicadores estudados (demográfica, empresarial), é nesta última dimensão que reside a maior vantagem competitiva para as cidades do «interior».

Na realidade, o estudo permite concluir que no sub-índice de competitividade do conforto das seis regiões com valores mais altos, cinco são cidades do interior: Évora (primeiro lugar neste sub-indice em Beja (2º lugar), Castelo Branco (3º), Portalegre (4º) e Bragança (5º lugar).

Em relação a estudos anteriores, estas posições comprovam que existe competitividade nas cidades do interior, sobretudo associada à dimensão do conforto populacional.

No entanto, o estudo identifica já uma presença de competitiviadade em sub- indices que, até agora, não eram «devidamente valorizadas» como a competitividade demográfica, uma vez que, em média as cidades do interior estão a crescer mais do que as congéneres do litoral.

O mesmo se pode dizer da competitividade empresarial, com o crescimento do volume de negócios afecto ao comércio, capacidade de alojamento média nos estabelecimentos hoteleiros e ao número de novas licenças para habitação.

O estudo reconhece que há um potencial de competitividade no espaço interior português, sobretudo no indicador de conforto, ou seja, «em tudo o que está ligado à promoção do nível de bem- estar das famílias».

No entanto, realça também que as cidades capitais de distrito do interior conseguem ainda ter «alguma supremacia» nos campos da competitividade demográfica e empresarial.

O trabalho permitiu ainda concluir que o desenvolvimento económico destas cidades em termos de Produto Interno Bruto (PIB) «não é premissa» para haver um índice de competitividade da Cidades elevado.

Porto (18º), Faro (16º) e Braga (15º) contrastam com Évora (1º), Beja (4º) e Castelo Branco (6º), o que segundo o estudo permite provar que as disparidades tradicionais ao nível do desenvolvimento económico podem ser esbatidas por melhorias actuais do nível de competitividade dos espaços historicamente menos reconhecidos, caso do «interior» português.

O estudo foi realizado em 2005 e, apesar de se basear em dados com três anos, mantém-se actual porque «as grandes características populacionais são analisadas em ciclos de dez anos, pois não apresentam alterações estruturais significativas», explicou à Lusa um dos autores, Paulo Mourão.

«É um estudo dinâmico, trabalhado numa base homogeneizada, a partir do Atlas das Cidades, não existindo dados mais recentes», acrescentou.

Para o autor, o «trabalho contém um conjunto de sugestões e reflexões que são válidas por um longo período e até que seja realizada outra investigação, o que só será possível com a publicação de novos dados pelo INE».

Ranking das capitais de distrito por ordem do ICC:

1.Évora: 7,293
2.Lisboa: 6,454
3.Coimbra: 6,042
4.Beja 5,660
5.Leiria 5,609
6.Castelo Branco 5,608
7.Aveiro 5,452
8.Guarda 5,178
9.Santarém 5,037
10.Portalegre 4,711
11.Viseu 4,628
12.Vila Real 5,514
13.Bragança 4,271
14.Setúbal 4,070
15.Braga 4,055
16.Faro 3,971
17.Viana do Castelo 3,859
18.Porto 3,577

Diário Digital / Lusa

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